Educação Somática
   

EDUCAÇÃO SOMÁTICA

A Educação Somática é um campo teórico-prático que reúne diferentes métodos cujo eixo de pesquisa e atuação é o movimento do corpo no espaço como uma via de transformação de desequilíbrios: mecânico, fisiológico, neurológico, cognitivo e/ou afetivo de uma pessoa. Os métodos de Educação Somática nasceram na Europa e na América do Norte entre os séculos XIX e XX.

O foco do professor de Educação Somática
é a pessoa e não seu "problema".
Ele orienta a pessoa em um processo de reaprendizagem
que passa pelo movimento de seu corpo no espaço.

 

O termo somática tem origem na palavra grega soma, que significa corpo vivo. Segundo Hanna (1979), soma é o corpo subjetivo, percebido diretamente em “primeira pessoa”. E corpo é aquilo que se percebe em "terceira pessoa", ou seja, de fora.

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FUNDADORES - Métodos de Educação Somática

Destacam-se como métodos de Educação Somática: Antiginástica, Técnica Alexander, Método Feldenkrais, Eutonia, Ginástica Holística, Método Danis Bois, Método das cadeias musculares e articulares G.D.S., Body-Mind Centering, Bartenieff, Continuum, Somaritmos e algumas correntes do Método Pilates.

Irmgard Bartenieff (1900 † 1981)
Alemã. Bailarina, próxima colaboradora de Rudolf Laban. Criadora do método Bartenieff.

Moshe Feldenkrais (1904 † 1994)
Judeu ucraniano. Doutor em engenharia e primeiro europeu a obter a faixa preta de judô.
Vítima de um problema joelho, Moshe começa a desenvolver movimentos que hoje conhecemos como Método Feldenkrais.

Frederick Matthias Alexander (1869 † 1955)
Ator australiano cujo problema de perda de voz o leva a observar em si próprio as relações entre esse sintoma e a maneira como organizava e usava seu corpo. Suas pesquisas resultam no que conhecemos hoje como a Técnica Alexander.

Lily Erhenfried (1896 † 1994)
Judia alemã. Médica e fisioterapeuta, criadora da Ginástica Holística, uma abordagem rigorosa cujos movimentos propostos levam em conta as estruturas anatômicas, fisiológicas e biomecânicas do corpo de forma global onde os participantes experimentam gestos inabituais e complexos que exigem novas respostas neuromusculares.

Joseph Pilates (1880 † 1967)
Atleta alemão, foi feito prisioneiro durante a Primeira Guerra Mundial. Tornou-se enfermeiro e começou a desenvolver junto aos prisioneiros os rudimentos do que hoje conhecemos como o Método Pilates.

Gerda Alexander (1908 † 1994)
Bailarina alemã. Devido a problemas de coração, os médicos desaconselham qualquer esforço físico para ela. Este é um dos motivos pelo qual ela desenvolve exercícios adaptados à sua condição, o que hoje conhecemos como Eutonia.

Bonnie Bainbridge Cohen
Norte-americana. Terapeuta ocupacional criadora do Body-Mind Centering, método de repadronização das conexões entre o corpo e a mente.

Thérèse Bertherat
Fisioterapeuta francesa. Insatisfeita com a visão do corpo-máquina composto de partes distintas, ela faz pesquisas que a conduzem à criação da Antiginástica. Inspirada pelo conceito revolucion á rio de cadeia muscular, desenvolvido por Françoise Mezières, a Antiginástica se caracteriza por ser um trabalho de prevenção praticado em grupo com o uso de bolas, tubos, saquinhos de areia...

Ninoska Gómez
Venezuelana, professora de dança, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Psicomotor. Criadora de Somaritmos, uma abordagem que visa harmonisar os diálogos entre a consciência, o movimento e os processos fisiológicos através do uso de bolas suíças e bambus.

Danis Bois
Osteopata francês. Danis Bois percebe que a atividade interna do corpo pulsa de forma lenta, profunda e em um ritmo de duas vezes por minuto. Esta dinâmica da vitalidade do corpo humano é a base do conceito da Ginástica Sensorial.

Godeliève Denys-Struyf
Nascida no Congo belga, formada em fisioterapia e belas artes. Usou seu talento de retratista para desenhar pacientes e observar semelhanças de postura entre grupos de indivíduos bem como semelhanças a nível psicológico e comportamental relativas aos tipos de postura. A partir destas pesquisas, criou o método que leva seu nome: Método G.D.S.

Emilie Conrad
Judia norte americana. Integrante de uma trupe de dança, Emilie viaja ao Haiti, onde toma contato com uma cultura onde o corpo é vivido de maneira fluida e espontânea. O impacto desse encontro é tal, que Emilie faz pesquisas que a levam a criar Continuum, bem como a teoria das três anatomias.

 

O potencial de saúde e o movimento do corpo

A Educação Somática objetiva a manutenção e recuperação da saúde, através da aplicação de técnicas precisas cujo eixo central é o movimento do corpo. Cada método de Educação Somática tem suas técnicas pedagógicas próprias. Porém, o conjunto dos métodos de Educação Somática baseia suas intervenções pedagógicas em valores que se contrapõem a uma visão puramente mecânica do corpo. Os métodos de Educação Somática partilham o princípio de que o corpo é um organismo vivo indivisível e indissociável da consciência. Para os professores de Educação Somática, o corpo carrega em si o meio onde vive, bem como emoções, pensamentos, valores socioculturais, políticos e espirituais. Dentro dessa ótica, o corpo não é uma matéria inerte habitada por uma consciência: o corpo é ele mesmo um dos estados de consciência do ser humano.

Entre a liberdade da arte e o rigor da ciência, os métodos de Educação Somática propõem movimentos e exercícios a todos aqueles que desejam:

  • gerenciar seu estresse e recuperar-se da fadiga;
  • acalmar as dores crônicas e prevenir as disfunções musculoesqueléticas;
  • melhorar a flexibilidade e amplitude articulatória;
  • reequilibrar o tônus de todo o corpo;
  • trabalhar a coordenação motora;
  • ter uma respiração mais satisfatória;
  • aumentar a capacidade de concentração;
  • reconhecer as dinâmicas entre seu corpo, suas percepções e emoções;
  • desenvolver seu potencial de expressão.

Reaprender a partir de suas próprias sensações

Em Educação Somática, não se privilegia a correção de patologias ou disfunções,mas trabalha-se a capacidade da pessoa a encontrar uma organização somática mais eficaz. A compreensão de que o corpo e a consciência formam um todo sustenta as estratégias pedagógicas dos professores de Educação Somática. Isso significa que as aulas não são construídas somente em função dos sintomas apresentados pelos participantes. O professor opta por levar a pessoa a tomar consciência de que seu “problema” tem relação, entre outros fatores, com a maneira como ela se move.

A auto-regulação é a faculdade inata que os organismos
vivos têm de reencontrar seu equilíbrio. Um dos eixos de ensino
dos métodos de Educação Somática é a reativação
dos mecanismos de auto-regulação.

 

Dentro do processo de aprendizagem em Educação Somática, a pessoa é levada a reconsiderar a posição que adota em seu trabalho; seus hábitos de vida; suas relações com o meio em geral; a percepção que tem de si mesma; sua vida afetiva, social etc.

O papel do professor de Educação Somática é o de levar a pessoa a dar sentido ao próprio desequilíbrio, através de suas sensações internas. Ele ajuda o aluno a reativar seus mecanismos naturais de auto-regulacão, a fim de recuperar o bem-estar.

Para o ser humano, por exemplo, problemas de saúde podem ocorrer quando sua capacidade de auto-regulação se encontra enfraquecida ou reprimida, como nos casos de trauma, de estresse, hábitos de vida inadequados, etc.

Nesse sentido, é importante alimentar nossa capacidade de distinguir nossos estados de equilíbrio e desequilíbrio, bem como saber qual o caminho de um a outro. Nesse caso, é possível enfrentar os desafios cotidianos, quando estamos aptos a nos adaptar, tendo o suporte de recursos naturais do organismo, tal como a auto-regulação.

Quando reconhecemos o potencial inescrutável do corpo e respeitamos seus limites, podemos então estabelecer maior intimidade com nós mesmos e integrar uma nova qualidade de movimento, que se reflete em toda e qualquer atividade cotidiana, seja qual for nossa idade, sexo ou ocupação.

 



    Fotos / Photos © Sylvia Arkilanian 2006 & Myriam Yates 2004
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